O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), declarou nesta sexta-feira (17) acreditar que o ex-presidente Jair Bolsonaro e o Partido Liberal (PL) estejam ligados à propagação de desinformação sobre uma suposta cobrança de impostos no Pix, que desencadeou uma grave crise no governo nos últimos dias.

Na quarta-feira (15), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou atrás e optou por anular uma norma da Receita Federal que alterava o monitoramento das transações financeiras.

A decisão foi anunciada pelo secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, após reunião com Lula. Já na quinta-feira (16), o governo editou uma Medida Provisória (MP) para assegurar que o Pix não seria alvo de tributação.

“Às vezes, não conseguimos comunicar adequadamente, mas isso não é culpa nem da imprensa nem do governo. A mentira é como um vírus: só conseguimos criar a vacina depois de identificá-lo. Olhem o que ocorreu esta semana”, lamentou Haddad em entrevista à CNN Brasil nesta sexta-feira.

“Eu acredito que Bolsonaro tem alguma participação nisso. O PL financiou o vídeo do deputado Nikolas Ferreira. E foi o Duda Lima, ex-marqueteiro de Bolsonaro, quem produziu esse material”, apontou o ministro da Fazenda.

Haddad também afirmou que Bolsonaro tem um histórico de conflitos com a Receita Federal devido a investigações envolvendo sua família. “Creio que Bolsonaro guarda rancor da Receita pelas questões amplamente conhecidas. A Receita descobriu o caso das joias, iniciou investigações sobre as rachadinhas e revelou mais de 100 imóveis adquiridos pela família Bolsonaro sem uma origem de renda justificável”, destacou.

“Eles [a família Bolsonaro] passaram a examinar com lupa os procedimentos técnicos e administrativos da Receita, que há mais de duas décadas realiza ações para combater o crime organizado, a lavagem de dinheiro e delitos cibernéticos. Tentaram difundir a ideia de que a Receita, com o número reduzido de servidores que possui, iria fiscalizar pequenos negócios. A realidade é que a Receita não tem estrutura para isso, e os estados já fazem essa fiscalização com mais informações disponíveis do que a Receita Federal”, concluiu Haddad.