As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) despencam mais de 4% mesmo em um dia de quase estabilidade do petróleo, em meio às declarações de Jean Paul Prates, CEO da estatal, sobre dividendos.

Por volta das 15h14 (horário de Brasília) desta quarta-feira (28), os papéis PETR3 registravam uma queda de 4,66%, cotados a R$ 41,92, enquanto os ativos PETR4 apresentavam uma baixa de 5,09%, a R$ 40,46.

Em uma entrevista à Bloomberg, Prates afirmou que a Petrobras adotará uma postura mais cautelosa em relação ao pagamento de dividendos extraordinários à medida que avança para se tornar uma potência de energia renovável.

Na reportagem, o CEO explicou que nos próximos 10 anos, cerca de metade da receita da companhia virá de energia eólica, solar e combustíveis renováveis, e que a empresa buscará realizar aquisições neste ano para impulsionar essa transição.

"É necessário agir com prudência. Os acionistas entenderão", comentou Prates quando questionado sobre a possibilidade de um pagamento extraordinário de dividendos. "Eu seria mais conservador do que agressivo. Estamos no meio dessa grande decisão de nos transformarmos em uma empresa de energia em transição."

Os analistas vislumbram a possibilidade de a Petrobras recompensar os investidores com bilhões de dólares em dividendos extraordinários, que poderão ser anunciados quando a empresa divulgar seus resultados, em 7 de março.

O Citi estima um potencial de até US$ 7 bilhões, enquanto o Goldman Sachs (GS) projeta até US$ 8 bilhões. Em 2022, a Petrobras foi a segunda maior pagadora de dividendos no setor de petróleo, ficando atrás apenas da Saudi Aramco.

A matéria da Bloomberg destaca que a postura da Petrobras em direção à energia limpa contrasta com a de alguns de seus concorrentes internacionais.

Enquanto gigantes europeus como a Shell e a BP se afastam das energias renováveis para se concentrarem mais nos combustíveis fósseis, a estatal brasileira está firme em sua trajetória de transição energética.